PARTE I — ABEL ARRUDA
Bati na porta do escritório de Heitor com mais força do que o necessário. Eu não estava apenas irritado; eu estava decepcionado. Ver o brilho de ciúme possessivo nos olhos dele no corredor, alimentado pelo veneno de Beatriz, tinha sido o limite.
— Entra — a voz dele veio abafada, carregada de uma tensão que eu conhecia bem.
Heitor estava sentado atrás da mesa de carvalho, o copo de uísque já pela metade. Ele nem me olhou.
— Vai começar com o sermão ou vai admitir que aq