Giulia Moretti
Depois do hospital, nada voltou a ser simples.
O som do tiro ainda mora em mim. Às vezes surge quando fecho os olhos. Outras, quando o silêncio da casa fica pesado demais. Quase sempre, quando escuto os passos firmes de Matteo Mancini atravessando os corredores como se fossem extensão do próprio corpo.
Tenho medo dele.
Medo real. Consciente. Que aperta o estômago e deixa a respiração curta.
E, mesmo assim… não consigo ir embora.
Não é só por causa da minha mãe.
É por causa deles.
Das crianças.
É nelas que eu me agarro para continuar respirando.
Naquela manhã, estamos no jardim com os menores. O sol atravessa as copas altas das árvores e desenha sombras irregulares no gramado impecável. Leonardo corre atrás de Tommaso, rindo alto. Francesca tenta ensinar Sophia a jogar uma bola pequena, enquanto a caçula segura o ursinho contra o peito com uma concentração séria demais para alguém de três anos.
— Giulia! — Tommaso grita. — Olha!
Ele se joga no chão de propósito, exageran