Maya O eco dos nossos passos nas escadas de pedra parecia ressoar no mesmo ritmo do meu coração descontrolado. A Matriarca Eleonora caminhava à minha frente com uma graça impecável, mas a sua presença não exalava a prepotência dos Davenport; carregava uma autoridade serena, antiga e profundamente observadora. No patamar intermediário que dava acesso ao corredor da cozinha, longe do alcance dos ouvidos do salão principal, Eleonora parou bruscamente. Virei-me de imediato, encolhendo os ombros e cravando os olhos no chão, temendo ter cometido algum desrespeito ao caminhar tão perto dela. O silêncio do corredor subterrâneo tornou-se denso, interrompido apenas pelo som distante da orquestra que tocava no andar superior. — Olhe para mim, menina — pediu a Matriarca, sua voz suave, porém impositiva. Lutei contra o pavor que travava o meu pescoço e levantei o rosto devagar, sustentando o olhar cinzento da senhora de Valência. Eleonora deu um passo na minha direção, semicerrando os olhos e
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