Helena acordou antes do despertador.Durante alguns segundos, não reconheceu o quarto. O teto era alto, as paredes tinham papel de parede antigo e a chuva batia contra as janelas como dedos impacientes. Então se lembrou da casa pequena, da fechadura quebrada e da Fazenda Villagran.Levantou-se e verificou a mão ferida. O corte não era profundo, mas ainda ardia. Rafael lhe dera um curativo antes de partir, prometendo retornar à cidade para acompanhar o depoimento de Gabriel.Às seis horas, Helena desceu.A casa parecia diferente durante a manhã. A luz entrava pelas janelas altas, revelando poeira suspensa no ar e móveis que pareciam não ser usados havia anos. Da cozinha vinha o cheiro de café recém-passado.Uma mulher robusta, de cabelos grisalhos presos em um coque, organizava pratos sobre a mesa.— Você deve ser Helena — disse ela.— Sou.— Amália Nogueira. Cuido da casa, da comida e de quase todos os problemas que aparecem por aqui.Helena sorriu pela primeira vez desde que chegara.
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