5

A sessão de fisioterapia terminou depois de dez minutos, como Augusto havia exigido.

Ele não demonstrou dor. Também não demonstrou satisfação. Permaneceu imóvel enquanto Marta guiava os exercícios, com o rosto voltado para a janela e as mãos fechadas sobre os braços da cadeira.

Helena observava tudo com atenção. Augusto conhecia os próprios limites, mas parecia determinado a ultrapassá-los sempre que alguém tentava ajudá-lo.

— Amanhã serão quinze minutos — disse Marta, guardando os equipamentos.

— Não.

— Quinze — repetiu Helena.

Augusto lançou-lhe um olhar irritado.

— Você não decide minha rotina.

— A senhora Marta também não teria vindo até aqui se sua opinião não fosse necessária.

— Está dispensada.

Marta não pareceu ofendida. Apenas pegou a bolsa.

— Ele faz isso todos os dias — comentou com Helena. — Amanhã voltarei às oito.

Quando a fisioterapeuta saiu, Augusto virou-se para Helena.

— Não quero que discuta com as pessoas em meu nome.

— Não discuti. Apenas impedi que o senhor abandonasse o tratamento antes do horário.

— Eu não abandonei.

— Negociou para fazer menos.

— Isso não é da sua conta.

— Enquanto eu for responsável por sua rotina, é.

Augusto avançou com a cadeira até a mesa lateral.

— Minha rotina pertence a mim.

— Então o senhor deveria ser capaz de cumpri-la sem contratar uma enfermeira.

A frase produziu um silêncio imediato.

Helena percebeu que havia ultrapassado um limite, mas não se desculpou. Augusto a encarava com uma expressão tão fria que parecia ter fechado todas as portas da sala.

— Saia — ordenou.

— Ainda preciso verificar seus medicamentos.

— Saia.

— Não.

Ele apertou os lábios.

— Você foi contratada ontem.

— E o senhor já está tentando me despedir hoje.

— Talvez eu devesse.

— Talvez devesse tomar o remédio das dez antes de decidir.

Augusto desviou o olhar.

Sobre a mesa havia um copo de água e uma cartela de comprimidos. Helena verificou a prescrição e depois o relógio.

— O senhor não tomou.

— Não senti necessidade.

— A medicação não é tomada apenas quando sente necessidade.

— Conheço meu corpo.

— Conhecer o próprio corpo não significa ignorar um tratamento prescrito.

— Você fala como se eu fosse uma criança.

— Falo como uma profissional que não pretende permitir que o paciente transforme a própria irritação em negligência.

Augusto permaneceu em silêncio. Depois pegou o comprimido e o colocou na boca.

Helena lhe entregou o copo.

— Obrigada — disse ela.

Ele bebeu a água sem responder.

O restante da manhã foi ocupado por tarefas simples. Helena organizou os horários dos remédios, verificou os equipamentos da sala e anotou as necessidades de Augusto. Descobriu que ele não gostava de ajuda durante as refeições, detestava música e preferia trabalhar com as janelas abertas, mesmo quando fazia frio.

Também descobriu que recusava quase todas as perguntas.

Ao meio-dia, Amália serviu o almoço na varanda. Davi estava sentado ao lado de Clara, tentando esconder um pedaço de pão dentro do bolso.

— Não faça isso — disse Clara.

— Não estou fazendo nada.

— O pão está aparecendo.

Davi olhou para Helena, como se esperasse que ela o defendesse.

— Talvez ele esteja guardando para mais tarde.

— Ele sempre guarda para mais tarde — explicou Amália. — E depois esquece onde colocou.

— Uma vez eu encontrei dentro do sapato — disse Bento, entrando com um prato nas mãos.

Clara riu. Davi pareceu ofendido.

Por alguns minutos, a refeição transcorreu com normalidade. Helena quase se esqueceu de que estava em uma casa onde cada pessoa parecia esconder alguma coisa.

Cecília chegou atrasada e sentou-se ao lado de Augusto.

— Você não vai à cidade hoje?

— Não.

— Preciso que assine alguns documentos.

— Deixe com Rafael.

— Rafael não pode assinar por você.

— Então espere.

Cecília colocou os talheres sobre a mesa com força.

— Estou esperando há três anos.

Augusto continuou comendo.

— Já discutimos isso.

— Não. Você decidiu e encerrou a discussão.

— A fazenda ainda não foi dividida.

— A fazenda não é apenas sua.

Helena percebeu que Bento havia parado de comer. Clara abaixou os olhos. Amália continuou servindo a comida como se a discussão fosse uma parte habitual das refeições.

— Sua herança será entregue quando houver segurança para isso — disse Augusto.

— Segurança para quem?

— Para todos.

Cecília riu sem humor.

— Você sempre encontra uma maneira de transformar prisão em proteção.

Augusto a encarou.

— Tenha cuidado.

— Não. Quem deveria ter cuidado é você. Um dia todos vão cansar de obedecer.

Ela se levantou e saiu da varanda.

Helena permaneceu quieta, mas a frase ficou em sua mente.

À tarde, Rafael ligou.

— Como está o trabalho? — perguntou.

— Meu paciente é difícil.

— Isso eu poderia ter lhe dito.

— E o caso de Gabriel?

A voz do advogado ficou mais séria.

— Octávio apresentou uma testemunha.

— Que testemunha?

— Um homem que afirma ter ouvido a senhora ameaçá-lo.

Helena fechou os olhos.

— Isso é mentira.

— Eu sei. Mas a polícia precisa considerar todas as versões.

— Gabriel está bem?

— Está com sua tia. Por enquanto.

— Por enquanto?

— Se o delegado entender que houve intenção de agressão grave, ele poderá responder em liberdade, mas o processo será aberto.

Helena sentiu a garganta apertar.

— Eu não posso voltar agora.

— Não recomendo que volte sozinha.

— Ele vai destruir minha família.

— Octávio já começou.

A ligação terminou pouco depois.

Helena permaneceu na varanda, olhando os campos úmidos. Ao longe, Bento conduzia alguns cavalos para o estábulo. Clara o acompanhava, carregando uma cesta. Davi brincava perto do jardim, sob a vigilância de Amália.

— Você pode pedir ajuda — disse Augusto atrás dela.

Helena virou-se. Ele estava parado junto à porta.

— Não preciso.

— Precisa de um advogado.

— Já tenho um.

— Precisa de dinheiro para pagar esse advogado.

— Não quero seu dinheiro.

— Não ofereci por bondade.

— Então por quê?

Augusto aproximou-se alguns centímetros.

— Porque preciso que você permaneça trabalhando aqui sem distrações.

Helena cruzou os braços.

— Meu irmão não é uma distração.

— Para você, não. Para o caso, pode ser.

— Não aceitarei que use minha família para me prender.

— Você aceitou o emprego porque não tinha escolha.

A verdade doeu.

Augusto percebeu, mas não recuou.

— Isso não significa que possa me tratar como propriedade.

— Ainda não pedi isso.

— Mas está pensando.

Ele sustentou o olhar dela.

— Eu penso em muitas coisas, senhorita Alencar. Poucas delas são da sua conta.

Augusto afastou-se, deixando Helena sozinha na varanda.

No céu, a chuva começava novamente.

E, pela primeira vez, Helena percebeu que talvez a Fazenda Villagran não fosse apenas um lugar para onde fugira.

Talvez fosse outro tipo de prisão.

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