Eu não sabia quanto tempo havia se passado. Horas? Dias? O quarto parecia cada vez menor, as paredes de madeira escura se fechando como um caixão. Meus pulsos sangravam onde as cordas apertavam, o corpo fraco pela falta de comida e água. Eu estava encolhida na cama, olhos inchados, mente exausta de tanto chorar.O desespero havia se transformado em um vazio entorpecente. Eu não sentia mais raiva. Só uma tristeza profunda, sufocante, como se minha alma estivesse se desfazendo.Foi então que o ar mudou.A temperatura do quarto caiu bruscamente. As chamas da lareira tremularam, embora não houvesse vento. Um brilho suave, quase etéreo, surgiu no canto do quarto, perto da janela gradeada. A luz se condensou, tomando forma.Uma figura apareceu.Era uma mulher alta, etérea, com pele translúcida que brilhava como luar. Seus cabelos eram longos e prateados, flutuando como se estivessem submersos em água. Vestia um manto branco antigo, bordado com símbolos de lobos e raposas entrelaçados. Seus
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