Seus ombros largos pareciam mais pesados do que nunca. Ele me olhou por um longo tempo antes de falar, a voz baixa, quase rouca:
— Você quer saber por que eu sou assim… por que não consigo te deixar ir?
Sentei na beira da cama, ainda com os pulsos doloridos, e assenti lentamente. Não disse nada. Apenas esperei. Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo, como se estivesse reunindo coragem para abrir uma ferida antiga.
— Minha vida sempre foi vazia, Lina. Mesmo antes de você. Mesmo antes d