Eu tinha apenas 11 anos… mas, naquele dia, senti como se tivesse vivido mais do que deveria.O sol ainda brilhava forte em Moçambique, como sempre. Mas, para mim, tudo escureceu no momento em que aqueles homens armados invadiram a minha aldeia. Eu não entendi o que estava acontecendo… só senti o medo tomando conta de tudo.Segurei com força a mão de Aziza, minha irmãzinha de 6 anos, enquanto tentava manter Amir, meu pequeno irmão de 4, perto de mim. Ele chorava sem parar, assustado, sem entender nada.— Fica comigo… não solta — eu sussurrei, mesmo com a voz tremendo.Mas o medo já era maior que qualquer palavra.Eles nos arrancaram dos nossos pais… sem despedida… sem explicação. Até hoje eu consigo ouvir o grito da minha mãe ecoando na minha cabeça, chamando por nós, lutando… e depois… nada. Só silêncio.Os dias passaram… ou pelo menos eu acho que passaram. Eu já não sabia mais. Estávamos com fome, com sede, cansados… até que nos levaram até um grande navio.Foi a primeira vez que vi
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