Eu não sabia exatamente o que era luto.Ou, pelo menos, não sabia como ele deveria se manifestar quando o morto era alguém que eu mal conheci, mas que, ainda assim, conseguiu virar minha vida do avesso sem nunca ter feito parte dela de verdade. Aquilo era totalmente diferente da dor da perca de alguém com quem a gente conviveu e que amou de verdade, como foi quando minha mãe se foi e eu senti que perdi o chão.Coloquei o mesmo vestido preto de corte reto e as sapatilhas do hospital. Não por apego emocional — mas porque era a única roupa minimamente adequada que eu tinha. No meu guarda-roupa, preto sempre foi sinônimo de rebeldia, de desafio silencioso, nunca de respeito. Ainda assim, naquela manhã, fazia sentido. Era simples, discreto, quase neutro. Como eu me sentia por dentro.Enquanto me olhava rapidamente no espelho antes de sair, pensei que talvez aquilo combinasse comigo naquele momento: alguém presente por obrigação, não por escolha; alguém deslocada de um ritual que parecia ex
Leer más