O som da música reverberava pelos corredores da casa da fraternidade como uma onda contínua — abafada e intensa ao mesmo tempo. As luzes piscavam em tons de azul e roxo, cruzando os rostos, os copos, as paredes com cartazes rasgados, como se tudo ali fosse parte de um clipe que não parava nunca. Risadas, passos apressados, brindes, vozes sobrepostas. Tudo pulsava. E, no meio daquele caos festivo, eu me sentia... leve.Eu estava no último ano da faculdade. E pela primeira vez, em muito tempo, havia uma liberdade genuína correndo nas minhas veias.Com um copo de cerveja quase quente na mão, caminhei entre as pessoas ao lado da Lisa e da Annabelle. Lisa já dançava perto da lareira com um cara loiro que usava uma camiseta justa demais e um sorriso de quem sabia o próprio efeito. Annabelle, como sempre, se refugiava onde o barulho era mais baixo: na cozinha, falando sobre Virginia Woolf com um colega do clube de escrita.E eu? Eu só queria sentir. Viver. Deixar que o presente me levasse se
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