Eu me lembro da primeira vez que vi a Sadie — ou melhor, do instante exato em que entendi que o mundo nunca mais seria o mesmo. Eu tinha quatro anos, e meus pais, como faziam quase todo fim de semana, me arrastaram até a casa dos amigos deles. A diferença é que, naquela tarde abafada de verão, havia uma novidade no berço encostado no canto da sala: uma recém-nascida de rosto amassado, vermelho, os olhos fechados como se ainda sonhasse com outro mundo.— Ela se chama Sadie — disse a mãe dela, sorrindo.Eu — um molequinho de camiseta de dinossauro, joelhos ralados e o cabelo grudado na testa — dei um passo tímido em direção ao berço. Ela era tão pequena. Tão frágil. E, mesmo tão novo, algo dentro de mim se acendeu. Não era amor, não ainda. Era outra coisa. Mais simples, mais instintiva. Um tipo de certeza que só uma criança é capaz de sentir: eu vou cuidar dela.E foi exatamente o que eu fiz.Durante toda a infância, a gente foi como duas peças do mesmo quebra-cabeça. Onde eu estava, el
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