O telefone tocou no meio de uma reunião inútil.Daquelas em que todos fingem importância enquanto repetem o que já foi decidido antes do café.Ignorei a primeira vez. Ignorei a segunda.Na terceira, senti aquele incômodo seco no estômago. Intuição não é coisa que eu leve a sério, mas ela sabe ser inconveniente.— Cinco minutos — avisei, já de pé.Saí da sala de vidro com vista para uma cidade que sempre pareceu obediente demais. Atendi.— Nate Blackwell? — perguntou uma voz feminina, profissional, treinada para não se envolver.Confirmei.— Falo do Hospital St. Mary. Precisamos que o senhor venha imediatamente.Não disseram o motivo. Nunca dizem. Quando dizem, já é tarde.O hospital cheira a desinfetante e derrota. Não importa quanto dinheiro você tenha, ali todo mundo anda do mesmo jeito: rápido, tenso, tentando não pensar no pior.Fui levado a uma sala pequena. Cadeiras duras. Luz branca demais.Uma médica entrou com um tablet nas mãos. Tinha olhos cansados.— O senhor conhecia Livi
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