O prédio da empresa sempre teve o mesmo efeito em mim: uma sensação de controle emprestado. Vidro, aço, silêncio calculado. Um lugar onde tudo obedecia a regras claras, gráficos previsíveis e pessoas que diziam “bom dia” esperando algo em troca.Hoje, nada disso funcionou.Assim que as portas do elevador se abriram no último andar, eu soube. Não por intuição mística, mas porque **Lucas** estava parado exatamente no meio do corredor, braços cruzados, expressão tensa demais para alguém que normalmente vivia de sarcasmo e café ruim.Meu assistente. Meu melhor amigo. Meu radar humano para desgraça iminente.— Ele já chegou — Lucas disse, sem rodeios.Nem precisei perguntar quem.Soltei o ar devagar, como se estivesse me preparando para mergulhar em água gelada.— Há quanto tempo?— Quarenta minutos. — Ele inclinou a cabeça. — Está no seu escritório.Ótimo. Meu território. Meu erro.Passei por ele sem responder, ajustando a gravata que eu não lembrava de ter colocado direito. Cada passo at
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