Bebês não nascem com manual de instruções. É um detalhe que ninguém menciona quando fala sobre filhos. Não existem reuniões às três da manhã, não existem assistentes, não existem soluções rápidas. Só existe você, dois recém-nascidos e a sensação crescente de que o tempo parou — ou pior, de que ele está se arrastando de propósito. Eu estava no meio do quarto, com um em cada braço, tentando entender em que momento exatamente eu perdi qualquer ilusão de controle. — Isso não está ajudando — murmurei, ajustando a posição de um deles, que claramente discordava da minha tentativa de lógica aplicada. Um chorava com consistência. O outro, por solidariedade ou puro caos, decidiu acompanhar. — Vocês não podem estar com fome de novo. Silêncio? Não. Mais choro. Perfeito. Andei pelo quarto, passos medidos, repetitivos. Eu já tinha aprendido que parar era um erro. Movimento constante reduzia o volume em aproximadamente trinta por cento — uma estatística que eu não sabia que um dia precisaria
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