CAPÍTULO 3 - Nate

Se alguém tivesse me dito, há uma semana, que eu estaria às três da manhã discutindo com dois seres de três quilos sobre quem deveria dormir primeiro, eu teria demitido essa pessoa por falta de senso.

Agora, eu estava ali.

De pé, no meio do quarto que havia sido montado em menos de quarenta e oito horas — berços impecáveis, iluminação suave, temperatura controlada, tudo dentro dos parâmetros ideais — exceto o principal: silêncio.

Silêncio não existia mais.

— Isso não faz sentido — murmurei, olhando para os dois.

Um chorava com consistência. Ritmado, insistente, quase profissional. O outro… o outro parecia estar competindo. Como se houvesse um prêmio invisível para quem atingisse o maior volume.

Eu apertei a ponte do nariz.

— Vocês não podem estar com fome — falei, mais para mim do que para eles. — Comeram há… — olhei para o relógio — quarenta minutos.

O choro não parou.

Claro que não.

Por que pararia?

Peguei o primeiro no colo com um cuidado quase cirúrgico. Eu ainda não confio completamente na física desses dois. Eles parecem… frágeis demais para existir fora de uma incubadora.

Ele continuou chorando.

— Certo. Ótimo. Excelente resposta.

Tentei lembrar de tudo que a enfermeira disse. Segurar com firmeza, apoiar a cabeça, manter proximidade.

— Eu estou apoiando sua cabeça — informei. — Isso deveria resolver pelo menos metade dos problemas.

Não resolveu.

O outro começou a chorar mais alto.

Perfeito.

Agora eu tinha um sistema de som estéreo.

— Um de cada vez — eu disse, olhando para o segundo. — Existe uma ordem lógica para tudo.

Ele não concordou.

Respirei fundo.

Coloquei o primeiro de volta no berço e peguei o segundo.

O primeiro chorou mais alto.

O segundo também.

Agora não era mais competição.

Era colaboração.

— Isso é… impressionante — admiti. — Vocês não têm coordenação motora, mas têm coordenação estratégica.

Andei pelo quarto com um no colo, tentando aplicar movimento. Balançar. Levemente. Como orientado.

— Isso deveria funcionar — murmurei.

Não funcionou.

Aumentei levemente o ritmo.

— Isso ainda está dentro de um padrão aceitável de movimento.

Nada.

O choro persistia.

Eu parei.

Olhei para ele.

Ele olhou para mim.

Não, ele não olhou. Ele não tem foco suficiente para isso.

Mas, naquele momento, pareceu.

— O que você quer?

Pergunta simples.

Resposta inexistente.

O outro começou a emitir um som novo. Não era exatamente choro. Era pior. Era um aviso.

— Não — eu disse, automaticamente. — Não faça isso.

Tarde demais.

Houve um segundo de silêncio absoluto.

E então...

— Claro — fechei os olhos por um momento. — Claro que você fez isso.

Trocar fralda.

Certo.

Isso eu sei fazer.

Em teoria.

Coloquei o primeiro no berço novamente, ignorando o protesto imediato, e levei o segundo até o trocador.

Organização.

Tudo estava alinhado: fraldas, lenços, pomada.

Execução.

Abri a fralda.

Pausei.

— Isso… não estava no manual.

Porque, aparentemente, não há limites para o que um recém-nascido pode produzir.

Respirei fundo.

— Não entre em pânico — falei comigo mesmo. — É apenas… biológico.

Comecei o processo com precisão. Limpar. Trocar. Ajustar.

No meio do caminho, ele decidiu se mexer.

Muito.

— Fique parado — pedi.

Ele não ficou.

Terminei o mais rápido possível, dentro de um padrão aceitável de qualidade, e o coloquei no berço.

Um resolvido.

Um ainda em colapso.

Peguei o primeiro.

Chequei.

— Você também? — perguntei.

Resposta: sim.

— Impressionante.

Repeti o processo.

Dessa vez, mais rápido.

Quando terminei, os dois estavam limpos.

Ainda chorando.

— Certo. Então não era isso.

Voltei ao ponto inicial.

Zero soluções aparentes.

Eu olhei ao redor do quarto.

Tudo estava perfeito.

Ambiente ideal.

Equipamentos de ponta.

Planejamento impecável.

E, ainda assim, caos.

— Isso é ilógico — falei.

Peguei um.

Depois o outro.

Segurei os dois ao mesmo tempo.

Isso exigiu um ajuste de postura que eu não sabia que seria necessário na minha vida.

— Não caiam — murmurei.

Eles não caíram.

Ponto positivo.

Comecei a andar novamente.

Passos lentos. Ritmo constante.

E, por um momento... Um deles diminuiu o choro.

Eu parei.

Erro.

Ele voltou a chorar.

— Não, não, não — voltei a andar imediatamente. — Movimento contínuo.

Então era isso.

Movimento.

— Certo — assenti, como se estivesse validando uma teoria. — Podemos trabalhar com isso.

Continuei andando.

Minutos passaram.

O choro diminuiu.

Gradualmente.

Até que...

Silêncio.

Eu parei.

Esperei.

Nada.

Olhei para baixo.

Dormindo.

Os dois. Simultaneamente.

Eu não me movi.

Nem um músculo.

Nem respirei direito.

Porque claramente isso era uma armadilha.

Esperei mais.

Nada.

— Interessante — sussurrei.

Caminhei lentamente até os berços.

Com cuidado extremo, depositei um. Depois o outro.

Eu olhei para o relógio.

Quatro da manhã.

— Perfeito — murmurei.

Quatro horas de operação contínua.

Resultado: dois bebês dormindo.

Custo: sanidade questionável.

Eu saí do quarto com a sensação de que tinha acabado de encerrar uma negociação de alto risco.

E, pela primeira vez em muito tempo, não tinha certeza de que estava no controle.

Às sete da manhã, o caos recomeçou.

Naturalmente.

Eu estava na cozinha, olhando para duas mamadeiras como se fossem dispositivos desconhecidos.

— A proporção não pode estar errada — murmurei, relendo as instruções pela terceira vez.

Água.

Fórmula.

Misturar.

Exceto pelo fato de que qualquer erro aqui pode resultar em… problemas.

E eu não trabalho com margem de erro.

Atrás de mim, o choro começou de novo.

Pontual.

Como um alarme.

— Estou indo — respondi, sem saber por que estava respondendo.

Preparei as duas mamadeiras.

Testei a temperatura.

Correto.

Entrei no quarto, peguei um.

Posicionei.

Tentei.

Ele rejeitou.

— Não.

Tentei de novo.

Nada.

— Isso é literalmente comida — expliquei. — Você precisa disso.

Ele discordou.

O outro começou a chorar mais alto.

— Claro.

Troquei.

O segundo aceitou.

Imediatamente.

— Interessante.

Então cada um tem… preferências.

Claro que têm.

Por que seria simples?

Continuei.

Um alimentado. Outro ainda protestando.

Voltei para o primeiro.

Ajustei o ângulo.

Esperei.

E então...Aceitou.

— Finalmente.

Eu me sentei na poltrona, segurando um deles, enquanto o outro terminava.

O pequeno no meu colo fez um som estranho. Não era choro.

Algo mais suave, quase… confortável.

Eu olhei para ele.

Ele não estava fazendo nada.

Só… existindo.

E, de alguma forma, isso parecia suficiente.

O outro terminou e ficou quieto também.

— Certo — falei, mais baixo agora. — Nós vamos resolver isso.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App