A cozinha era grande demais para duas pessoas que não sabiam como existir no mesmo espaço.
Tudo ali parecia projetado para impressionar alguém que nunca pisaria descalço no chão frio às seis da manhã. Bancadas de pedra que provavelmente custavam mais do que a casa onde eu cresci inteira. Armários silenciosos, que fechavam sozinhos, como se até eles tivessem educação demais para fazer barulho.
Eu odiava isso.
O silêncio, principalmente.
Quebrei o clima abrindo a geladeira sem cuidado, deixando a