Cheguei em casa com o corpo cansado e a cabeça barulhenta demais para o tamanho da cozinha.
O cheiro de alho refogando no óleo veio antes da voz da minha mãe. Sempre vinha. Era o aviso silencioso de que, apesar de tudo, ainda existia rotina. Ainda existia jantar. Ainda existia um lugar onde ninguém fingia que estava no controle.
Larguei a bolsa na cadeira e amarrei o cabelo sem pedir permissão para ninguém.
— Chegou cedo — minha mãe comentou, mexendo a panela com aquela colher de madeira que já