Como chego antes, escolho uma mesa externa, de canto num ponto estratégico de observação. Apoio a bolsa na cadeira ao lado, um escudo invisível, e observo o movimento do lado de fora, como se fosse mais fácil assistir à vida do que participar dela. A expectativa me consome, uma sensação estranha e bem-vinda.Alguns minutos depois, sinto antes de ver. Uma energia diferente, uma leveza que preenche o ambiente. Vitor se aproxima com passos tranquilos, seguros, como se o mundo fosse seu palco. Quando ele ergue o olhar e me encontra, o impacto é imediato — sempre foi. É como um choque elétrico, uma faísca que acende algo dentro de mim.Ele se parece demais com Ricardo. O mesmo porte alto, a mesma estrutura forte, o mesmo maxilar marcado, o mesmo nariz reto. Os mesmos olhos escuros que parecem enxergar além do que se diz, que penetram na minha alma. Mas onde Ricardo carrega dureza, uma armadura impenetrável, Vitor carrega leveza, um sorriso fácil que desarma.Onde meu marido se fecha, se bl
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