Ponto de Vista: MayaO Marcos me instalou em uma sala técnica lateral, um pequeno aquário de vidro escuro que ficava acima do nível do palco. Dali, eu tinha a visão periférica de tudo: as centenas de jornalistas com seus notebooks abertos, o brilho ofuscante dos refletores e, no centro de tudo, o Leonardo. Ele parecia menor do que eu lembrava quando estava em Porto do Silêncio, talvez porque o mundo ao redor dele fosse barulhento e exagerado demais.Sentei-me em uma cadeira alta, escondida pelas sombras. Meu coração ainda batia forte por causa da nossa conversa no camarim. Eu tinha sido firme, e ver o Leonardo ali, sob o escrutínio de tantas câmeras, me fez entender que o "amor" dele era uma faca de dois gumes. Se ele não aprendesse a me ouvir, o fio cortaria para o meu lado.As luzes do auditório diminuíram e o silêncio que se seguiu foi pesado. O Leonardo limpou a garganta, o som ecoando amplificado.— Bom dia a todos — ele começou. A voz estava firme, mas eu, que já tinha visto ele
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