Ponto de Vista: Maya
As obras em Porto do Silêncio terminaram com a mesma eficiência silenciosa com que começaram. O último caminhão de entulho subiu a encosta e o som do gerador finalmente deu lugar ao barulho constante do mar. A pousada estava renovada. O Leonardo havia cumprido cada promessa feita naquela carta: o telhado estava firme, a drenagem estava operando e o vilarejo respirava o alívio de estar seguro.
Eu estava na cozinha, conferindo o estoque de mantimentos, quando o Ricardo, o chefe da segurança, passou para deixar as chaves finais e se despedir.
— Estamos saindo, Maya. Tudo entregue conforme o combinado. — Ele hesitou por um segundo antes de completar: — Só um aviso, o Leonardo tem uma coletiva de imprensa amanhã cedo, no Rio. Vai ser o lançamento do álbum novo e ele deve falar sobre o tempo que passou aqui. O Marcos está com a agenda lotada, o clima lá está bem tenso.
— Obrigada por avisar, Ricardo — respondi, mantendo o tom neutro.
Assim que ele saiu, subi para o meu