O Silêncio sob Custódia

Ponto de Vista: Maya

Eu ainda segurava a caneca de café, mas o líquido já estava frio, tão sem vida quanto o cenário diante de mim. O silêncio que se seguiu à fala do Tião não era o silêncio de paz que eu tanto lutei para construir em Porto do Silêncio; era o silêncio que precede um novo tipo de desastre.

Eu olhava para o jardim e via mais do que galhos quebrados e lama. Eu via o fim de uma era. A parte de mim que acreditava em recomeços tinha sido arrancada junto com a raiz daquela amendoeira centenária que agora jazia atravessada no caminho.

— Maya, fia... — Tião pigarreou, visivelmente desconfortável, trocando o peso do corpo de um pé para o outro. — Tem mais uma coisa.

Eu não respondi de imediato. Meus olhos estavam fixos em dois vultos que se moviam perto do portão principal. Eles não vestiam as capas de chuva amarelas e gastas dos pescadores. Eles vestiam preto. Roupas táticas, botas pesadas que não pareciam se importar com a lama, e uma postura que exalava uma autoridade fria e
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