Ponto de Vista: Maya
A rotina em Porto do Silêncio tinha ganhado um novo ritmo. Já faziam três semanas que o barulho das máquinas e o vaivém de homens contratados pelo Leonardo faziam parte do meu dia. A reconstrução estava chegando ao fim. O telhado da pousada estava pronto, a encosta lateral finalmente parecia segura sob o novo sistema de drenagem e a estrada principal já permitia que o vilarejo voltasse a respirar.
Eu passava a maior parte do tempo organizando o que restava. Estava ajudando a Dona Fátima a repor o estoque da despensa e coordenando com o Tião a entrega das novas mudas para os vizinhos que perderam seus jardins. Eu preferia o cansaço físico; ele me impedia de pensar demais.
Foi em uma dessas tardes que o Tião se aproximou e me entregou um envelope branco, simples.
— O rapaz do malote deixou para você, Maya. Veio direto do Rio.
Entrei no Quarto 4 e sentei na beira da cama. Meu coração acelerou ao reconhecer a letra dele. Abri o papel devagar e li o que o Leonardo tinh