Ponto de Vista: Leonardo
O camarim da gravadora parecia uma jaula de luxo. O cheiro de café caro e o ar-condicionado no máximo não conseguiam disfarçar o meu nervosismo. Eu encarava o espelho, mas não via o artista que o Brasil esperava lá fora; via um homem tentando sustentar uma máscara que pesava toneladas.
Faltavam dez minutos para a coletiva. Cada música do álbum era um grito para a Maya, e o silêncio dela nas últimas três semanas tinha sido a resposta mais dolorosa que eu já recebi. Eu estava no limite.
— Marcos, eu já disse que não quero ver mais nenhum roteiro! — gritei, quando ouvi a batida na porta.
— Não é roteiro, Leonardo. Sou eu.
O som daquela voz fez o meu coração despencar. Eu congelei. Era ela. Levantei-me tão rápido que a cadeira quase tombou e abri a porta com um puxão. A Maya estava ali, com a poeira da estrada ainda nas roupas, mas com uma postura que nenhum daqueles diretores de terno jamais teria.
Eu queria dizer mil coisas. Queria agradecer por ela permitir que