Ponto de Vista: Leonardo
O vidro triplo do estúdio me separava do mundo, mas não me protegia de mim mesmo. Fazia três dias que a carta tinha sido entregue em Porto do Silêncio. Eu sabia disso porque o Marcos, com sua eficiência cirúrgica e um pragmatismo que às vezes me enojava, tinha me mostrado a confirmação do recebimento no tablet. "Entregue em mãos", dizia o relatório frio do mensageiro. Desde aquele segundo, meu celular se tornou um objeto de tortura. Eu o encarava por horas, esperando um