Ponto de Vista: Leonardo
O auditório da gravadora ainda rugia. O som dos aplausos era uma massa física, uma pressão que eu sentia contra o peito enquanto me levantava. Eu tinha feito. Pela primeira vez em anos, eu não tinha entregado o que o marketing pediu; eu tinha entregado o que a minha alma gritava. E, ironicamente, foi nesse momento de honestidade brutal que a mídia, que sempre me tratou como um produto de prateleira, finalmente pareceu me enxergar como artista.
Eu olhei para o fundo da sala, para o vidro escuro onde a Maya estava escondida até poucos minutos atrás. Eu não cantei para pedir que ela abandonasse a vida dela por mim. Cantei para mostrar que eu podia ser o homem que ela conheceu na varanda e o músico que os fãs amavam, ao mesmo tempo. Eu não precisava mais fugir para ser real.
— Leonardo! Leonardo! — As perguntas voltaram a subir como ondas, mas eu apenas fiz um sinal de agradecimento e saí do palco.
No corredor, a euforia era sufocante. Marcos e os executivos da gr