Ponto de Vista: Leonardo
O estúdio da gravadora era um bunker de tecnologia e isolamento acústico enterrado sob o asfalto barulhento do Rio de Janeiro. Ali dentro, o tempo não existia. Não havia janelas para ver o sol se pôr, nem o som do vento nas árvores para me lembrar de que o mundo era um lugar vivo. Havia apenas a luz vermelha de "On Air", o cheiro de eletrônicos aquecidos e o silêncio morto das paredes revestidas de espuma.
Eu estava parado diante do microfone, um modelo valvulado que custava uma fortuna, mas que parecia um objeto estranho e frio diante de mim. Os fones de ouvido apertavam minhas têmporas, isolando-me ainda mais em minha própria mente. Do outro lado do vidro triplo, na sala técnica, eu via o vulto do meu produtor, o Guto, e do Marcos. Eles sussurravam, olhando para monitores cheios de ondas sonoras verdes e amarelas. Eu sabia que eles estavam esperando que a "galinha dos ovos de ouro" começasse a cantar o que o público tanto queria.
— Leo? Estamos prontos para