Maya sabia que aquele momento chegaria.
Não exatamente daquela forma, não tão cedo — mas sabia. Desde o instante em que Lara atravessara o hall do prédio com aquela postura segura demais, desde o olhar atento de Orion, desde o silêncio pesado que se instalara depois que o elevador se fechou.
Algumas perguntas não aceitam ser ignoradas para sempre.
Naquela noite, o apartamento estava quieto demais.
Enzo dormia, Dona Cida já havia se recolhido, e a cidade lá fora parecia distante, como se estivesse em outro plano. Maya estava na cozinha, fingindo organizar algo que já estava organizado, quando sentiu a presença de Orion atrás dela.
— Precisamos conversar — ele disse.
Não havia acusação na voz. Nem raiva. O que tornava tudo ainda pior.
Maya pousou o pano sobre a bancada e respirou fundo antes de se virar.
— Eu sei.
Orion apoiou as mãos no mármore, mantendo uma distância respeitosa. Não se aproximou demais. Não a encurralou. Aquilo não era uma discussão impulsiva. Era uma decisão.
— Aquel