O sábado começou diferente.
Maya percebeu assim que acordou — não por um pressentimento claro, mas por aquela sensação incômoda de que algo estava fora do lugar. O silêncio da casa parecia mais espesso, como se estivesse segurando a respiração.
Ela se levantou cedo, como de costume, e encontrou Dona Cida na cozinha, organizando o café.
— Bom dia — Maya disse.
— Bom dia — a mulher respondeu, mas havia um leve aperto na expressão dela. — O senhor Ferraz não saiu hoje.
Maya sentiu o corpo enrijecer.
— Ele está em casa?
— Está no escritório desde cedo. Ao telefone.
Aquilo explicava o clima.
Enzo apareceu pouco depois, ainda de pijama, os cabelos bagunçados e o dinossauro de sempre debaixo do braço.
— A gente vai sair hoje? — perguntou, animado.
— Podemos ir ao parque — Maya respondeu, tentando manter a voz leve. — Se o seu pai deixar.
Enzo fez uma careta.
— Ele vai dizer que não.
— Não custa tentar — ela disse, sorrindo.
Mas, antes que pudesse se mover, a campainha tocou.
O som ecoou pelo