Não havia relógios. A ausência de marcadores temporais tornava a espera elástica, quase cruel, transformando segundos em ciclos intermináveis de ansiedade. Lisa perdeu a conta de quantas vezes forçou o ar para dentro dos pulmões antes que o painel final, no centro da sala estéril, se acendesse com uma única palavra, fria e definitiva: COMPATÍVEL Ela não sentiu alívio. Sentiu o peso de uma sentença. Sabia que tinha atravessado o portal, mas não fazia ideia do preço que a Arca cobraria pelo ingresso. Ao sair da sala, as suas pernas estavam trêmulas, o corpo processando com atraso o impacto psicológico do teste. O corredor, antes apenas funcional, agora parecia estreito, como se as paredes de polímero estivessem a fechar-se sobre ela. Foi então que o viu. Ele estava a poucos metros, conversando com outro oficial. A postura era relaxada demais para alguém que carregava uma arma de alto calibre, uma descontração que emanava perigo. Pela primeira vez, Lisa permitiu-se realmente observá-l
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