Lisa acordou com a sensação absurda de normalidade. Por um segundo inteiro, talvez dois, acreditou que tudo tinha sido um sonho. A luz constante no teto lembrava a de um quarto comum, doméstico demais para ser real. O colchão sob seu corpo era firme, quase confortável. O silêncio não gritava perigo. Era controlado. Calculado para parecer seguro. Então ela lembrou. Não houve choque. Houve peso. Virou o rosto e viu Camila dormindo encolhida, o corpo pequeno comprimido como se ainda tentasse ocupar menos espaço no mundo. Havia marcas de choro seco no rosto, linhas finas sob os olhos que Lisa reconhecia bem demais — as mesmas que apareciam no espelho quando ela própria passava noites em claro. Diana estava sentada na cama ao lado, acordada havia tempo demais. Os joelhos puxados contra o peito, as mãos entrelaçadas com força excessiva. Observava o alojamento como quem tenta memorizar uma saída que não existe, catalogando paredes, ângulos, padrões invisíveis. — Ainda estamos aqui —
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