O Setor Gama não parecia um prêmio. Parecia um intervalo. O tipo de lugar que não machuca à primeira vista, mas também não permite esquecer onde se está. Lisa foi conduzida para lá antes do toque de início do ciclo. Dois dias se passaram em um vácuo de silêncio, sem cerimônia de posse ou anúncio público. Apenas a substituição da sua pulseira por uma nova: cinza-escura, discreta, com o peso frio da autoridade técnica. No terceiro dia, a porta do seu alojamento deslizou. A convocação não veio por áudio, mas por um comando visual na parede: REUNIÃO DE ALOCAÇÃO – SALA 12-C. A sala era um cubo de vidro e metal, suspensa sobre um dos poços de ventilação da Estação Alfa. O recrutador, um homem de feições genéricas chamado Elias, não levantou os olhos dos hologramas quando Lisa entrou. — Sente-se, Sujeito 4419-G — disse ele, a voz tão estéril quanto o ambiente. — Seu cargo foi ratificado pelo Comitê Central. Você atuará na Análise Operacional de Nível Intermediário. Basicamente, você será
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