CAPÍTULO 7

Lisa respirava rápido demais. O som de passos do lado de fora da sala de teste rompeu o silêncio estéril, e a temperatura pareceu despencar. Não era apenas o ar-condicionado da Estação; era a chegada dele.

— Fique em pé — ordenou a voz sintetizada, fria e metálica.

Lisa obedeceu, os músculos retesados sob o uniforme cinza que parecia áspero demais contra sua pele. A porta deslizou com um chiado hidráulico. Ela não precisou se virar. O ar na sala mudou, tornando-se denso, carregado com o aroma de sândalo e o ozônio que precede uma tempestade. O oficial da nave estava ali.

Ele não olhou para ela de imediato. Caminhou com uma elegância letal até o painel lateral, onde os dados fisiológicos de Lisa eram projetados em tempo real. A luz azulada da tela refletia em seus olhos âmbar, fazendo-os brilhar como ouro derretido na penumbra da sala.

A frequência cardíaca dela estava alta, um martelar rítmico que ele podia quase ouvir no silêncio da sala. Mas o que o deteve foi a estabilidade galvânica. Ela estava apavorada, mas sua pele não mentia: havia um controle deliberado ali. Uma contenção que ele raramente via em civis. Uma rebelde que sabe esconder as garras, ele pensou.

A segunda fase começou sem pausa.

— Você pode fazer uma pergunta — disse ele. A voz era um barítono baixo, uma vibração que Lisa sentiu no centro do peito, portando uma autoridade que não precisava de volume. — Apenas uma, senhorita Lisa.

O uso do nome dela, dito com aquela calma devastadora, fez o sangue de Lisa latejar. Ela engoliu em seco, sentindo o peso do escrutínio dele como se ele estivesse tocando sua pele.

— O que acontece com quem falha?

O oficial inclinou levemente a cabeça, um movimento predatório. Ele viu o pico violento no gráfico de estresse dela ao pronunciar a palavra "falha". Ele não viu apenas uma candidata nervosa; ele viu alguém que carregava o peso de outros nos ombros.

— Não falham — respondeu ele, e por um instante, a frieza de sua voz vacilou, tornando-se algo mais sombrio. — São realocados.

Era uma mentira descarada. Lisa sustentou o olhar dele, e o que aconteceu a seguir foi um desastre silencioso: as pupilas dele se dilataram ao perceber que ela sabia. Naquele átimo de segundo, o oficial e a civil desapareceram. Eram apenas duas faíscas em um barril de pólvora. Ele não se encantou pela audácia dela; ele a reconheceu. Era como encontrar um código proibido em um sistema que ele jurara proteger.

O painel brilhou, banhando o rosto de dele em uma luz azulada que acentuava a linha dura de sua mandíbula.

RESPOSTA REGISTRADA

QUESTÃO 9

Você tem sentimentos por alguém e essa pessoa ameaça a estabilidade do sistema. Você a entrega?

O cursor piscava, impiedoso. O oficial deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Lisa. Ele era o parâmetro de pressão agora, o cheiro dele a embriagando, a altura dele a forçando a inclinar a cabeça. Lisa não escreveu o que o manual de Aethelgard exigia. Seus dedos tremeram ao digitar:

“Eu tentaria salvá-la sem destruir tudo.”

Ele estreitou os olhos, um brilho de perigo surgindo ali. Estratégica ou idealista? Ele processou a resposta como se fosse um veneno que ele estava disposto a provar. Ela não desafiara o sistema; ela propunha uma terceira via. Uma variável que ele, em toda a sua vida militar, nunca se permitira considerar.

RESPOSTA REGISTRADA

QUESTÃO 10

Você está em um grupo de dez. O líder ordena que um membro seja eliminado para manter a ordem. Você acredita que a ordem é necessária.

De repente, a voz de dele sobrepôs-se ao texto, lenta, precisa e perigosamente perto do ouvido dela:

— Você executa a ordem?

Ela sentiu o calor do corpo dele, um contraste violento com o metal frio da sala. Ele não estava tentando intimidá-la para que ela cedesse; ele estava tentando ver se ela era forte o suficiente para sobreviver ao que vinha a seguir. O pulso dela, surpreendentemente, estabilizou. O confronto a tornava mais forte.

— Eu questiono — disse ela, a voz ganhando uma firmeza que ecoou nas paredes.

— Não foi essa a pergunta. — Ele rebateu, os olhos fixos na flutuação da pressão arterial dela, a mão dele pairando perto do painel, quase tocando o ombro dela.

— Então não. — Ela repetiu, virando-se para encará-lo de frente, a centímetros de distância. — Eu não executo.

O painel apagou-se bruscamente. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

RESPOSTA REGISTRADA

— Avaliação encerrada — disse a voz. — Aguarde o resultado.

O oficial permaneceu parado por um instante longo demais. O interesse dele não era mais puramente técnico. Ele via nela uma ameaça ao protocolo, sim, mas sentia uma atração visceral pela integridade daquela lógica rebelde. Ela não era uma peça quebrada; era uma peça que pertencia a um quebra-cabeça que ele sequer sabia que existia.

Sem dizer uma palavra, ele se retirou. A porta fechou-se com um estalo metálico, deixando Lisa sozinha com a mensagem que brilhava na tela:

RESULTADOS EM PROCESSAMENTO

CONFIANÇA NO SISTEMA É OBRIGATÓRIO

Do lado de fora, o oficial olhou uma última vez para os dados de Lisa antes de apagar o log. O respeito que sentia era perigoso. Ele precisava decidir se ela era um ativo a ser cultivado ou uma faísca a ser apagada.

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