O jardim parecia ter prendido a respiração. A terra ainda estava revolvida, as ferramentas esquecidas ao lado do canteiro, como provas silenciosas de algo que não deveria ter acontecido. Lilly já tinha ido embora com passos apressados, quase uma fuga. E o som dela se perdia entre as árvores. Otávio permanecia ali, de braços cruzados, o corpo imóvel, os olhos fixos no irmão. Júlio, por sua vez, ainda estava ajoelhado, como se nada tivesse sido interrompido. — O que estava acontecendo aqui? — Otávio perguntou, a voz baixa demais para ser casual. Júlio ergueu o rosto devagar, depois se levantou, limpando as mãos na calça com calma excessiva. — Você não viu? — respondeu, com um meio sorriso. — Estávamos cuidando das flores. Algum problema? Otávio soltou uma risada curta, sem humor algum. — Júlio, Júlio… — balançou a cabeça. — Sempre tentando me superar em alguma coisa. — Superar, não — Júlio rebateu, já de pé, o olhar afiado. — Ser melhor. Porque, convenhamos, eu sou.
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