Era sexta-feira.
Helena despertou antes do alarme, como se o corpo tivesse aprendido a antecipar exigências. Pegou o celular ainda deitada, o rosto iluminado pela tela: notificações da empresa, lembretes de reuniões, uma mensagem de Júlia piscando no topo.
“Café hoje. Você está sumida.”
Helena fechou os olhos por um segundo antes de responder.
“Depois do expediente.”
Levantou-se, tomou banho rápido e escolheu a roupa com mais cuidado do que gostaria de admitir. Não por vaidade — por armadura. Vestiu-se como quem se prepara para um campo minado.
Rodrigo já a aguardava quando desceu. O mesmo silêncio atento, a mesma postura contida. Mas havia algo diferente desde a madrugada anterior — uma tensão que não vinha do ambiente, e sim dele.
O caminho até a empresa foi silencioso.
A manhã passou em uma sequência de reuniões que Helena apenas acompanhou. Nomes, números, projeções. Ela observava mais do que falava, registrando padrões, hierarquias invisíveis, quem interrompia que