O loft de Ísis, no último andar de um edifício industrial revitalizado, cheirava a café fresco e óleo de linhaça. Era o seu santuário. Ali, longe dos olhares julgadores de Valverde do Sul, ela podia ser apenas a artista que sempre foi. Mas, naquela noite, a batida na porta não era o ritmo familiar do entregador ou de Leo. Era uma batida pesada, hesitante e, de alguma forma, urgente.Quando Ísis abriu a porta, o ar fugiu de seus pulmões. Giorgio estava parado no corredor escuro, sem a gravata, com o colarinho da camisa branca aberto e o paletó pendurado em um dos dedos. Ele parecia exausto.— O que você está fazendo aqui, Giorgio? — ela perguntou, mantendo a porta entreaberta como um escudo. — O evento no clube ainda deve estar fervendo. Soraya não vai sentir sua falta?— Ela está ocupada demais sendo o centro das atenções — ele disse, a voz baixa. — Posso entrar? Precisamos falar sobre o galpão. Sem advogados. Sem... noivas.Ísis hesitou, mas abriu caminho. Giorgio entrou no loft e pa
Ler mais