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🎨 Capítulo 7: Arquitetura da Sabotagem

A manhã em Valverde do Sul surgiu com um sol pálido, mas para Ísis, o dia começou com um balde de água fria. Ela estava no prédio da Prefeitura, segurando uma pasta com todos os formulários preenchidos para a licença de funcionamento da Galeria Buonavitta. O plano era simples: se Giorgio ainda estava "analisando" o galpão, ela adiantaria a burocracia do casarão antigo da família como plano B.

— Sinto muito, senhorita Buonavitta — disse o funcionário, sem sequer olhar nos olhos dela. — O sistema indica uma pendência de impostos prediais de quase uma década. Além disso, houve uma denúncia anônima sobre a estrutura do imóvel.

— Denúncia? Aquele casarão é patrimônio histórico da cidade! — Ísis rebateu, sentindo o nó na garganta apertar. — Eu tenho os laudos de que a estrutura é sólida.

— Os laudos da prefeitura dizem o contrário. O prédio foi interditado para "avaliação de risco" há uma hora. A senhora não pode nem entrar para retirar seus pincéis sem uma autorização especial.

Ísis saiu do prédio sentindo o chão fugir sob seus pés. Ela sabia que não era coincidência. Aquilo tinha as digitais de Margareth Cezario.

Enquanto isso, na sede das Empresas Cezario, Giorgio tentava se concentrar em uma fusão bilionária, mas sua mente era um labirinto de dúvidas. Ele havia passado a noite em claro, revirando arquivos mortos em sua casa de veraneio, procurando qualquer rastro daquelas cartas de dez anos atrás. Ele não encontrou nada, o que era ainda mais suspeito: Margareth era mestre em apagar rastros.

A porta de sua sala se abriu sem bater. Margareth entrou, exalando o cheiro de um perfume floral excessivamente doce que parecia esconder algo podre.

— Giorgio, querido. Vim avisar que já resolvi o problema daquela... moça da arte — disse ela, sentando-se graciosamente e cruzando as pernas cobertas por meia-calça de seda.

Giorgio travou o maxilar. — Do que você está falando, Margareth?

— O casarão dos Buonavitta. Estava caindo aos pedaços, um perigo para a vizinhança. Fiz o favor de agilizar a interdição junto à prefeitura. Assim, a pobre menina não gasta o pouco dinheiro que tem em um poço sem fundo. E, claro, isso facilita para você ceder o galpão para a Soraya. Sem concorrência, sem drama.

O sangue de Giorgio ferveu. A frieza com que ela admitia ter destruído o sonho de Ísis como se estivesse escolhendo um novo jogo de jantar era insuportável.

— Você não tinha o direito de interferir nos negócios imobiliários da minha empresa, Margareth. E muito menos no patrimônio de outra família.

— Eu protejo este sobrenome, Giorgio! — a voz dela subiu um tom, perdendo a polidez. — O que você acha que Valverde diria se visse o CEO das Empresas Cezario financiando o retorno triunfal de uma Buonavitta? Aquela família é sinônimo de escândalo e instabilidade. Soraya é o seu futuro. Ísis é um erro de juventude que eu já deveria ter apagado por completo.

— Como você apagou as minhas cartas? — A pergunta saiu da boca de Giorgio antes que ele pudesse contê-la.

O silêncio que se seguiu foi cortante. Margareth não vacilou. Ela apenas deu um sorriso enviesado, o tipo de sorriso que um mestre dá a um aprendiz que finalmente entendeu a lição.

— Cartas são feitas de papel, Giorgio. Papel queima. O que eu fiz foi dar a você a chance de ser o homem que é hoje. Se você prefere ser um pintor de calçadas apaixonado, sinta-se à vontade para jogar tudo fora. Mas saiba que Soraya já está organizando a festa de noivado oficial para o próximo sábado. Se você não aparecer, a queda das ações do grupo será o menor dos seus problemas.

Ela se levantou e saiu, deixando para trás um rastro de veneno.

Minutos depois, o celular de Giorgio vibrou. Era uma mensagem de Leo, o amigo de Ísis: "Ela está arrasada, Giorgio. Tiraram ela do casarão a força. Se você ainda tem um coração sob esse terno, faça alguma coisa."

Giorgio olhou para o contrato do galpão sobre sua mesa. Olhou para o convite da festa de noivado. Ele se sentia como um arquiteto vendo sua própria construção ruir. Ele sabia que, se ajudasse Ísis agora, estaria declarando guerra aberta contra sua própria família.

Mas então, ele lembrou do gosto do azul cobalto no sótão. Lembrou que algumas coisas não foram feitas para queimar. Elas foram feitas para brilhar, mesmo sob as cinzas.

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