O destino, em Valverde do Sul, parecia ter um senso de humor irĂ´nico. ĂŤsis havia saĂdo para buscar algumas molduras especiais em uma oficina nos arredores da cidade, um lugar rĂşstico que Margareth Cezario jamais frequentaria. O que ela nĂŁo esperava era que o carro de luxo de Giorgio estivesse parado bem ali, diante de uma pequena loja de ferragens artesanais.
Ele estava encostado no capô, observando o horizonte cinzento, com a gravata frouxa e as mangas da camisa dobradas. Quando ele se virou e viu Ísis atravessando a rua com uma moldura de madeira sob o braço, o tempo não apenas parou; ele implodiu.
— Você está me perseguindo, Buonavitta? — Giorgio perguntou, mas não havia dureza em sua voz. Havia um brilho de diversão que ela não via há uma década.
— Eu poderia perguntar o mesmo, Cezario — Ísis rebateu, parando a poucos passos dele. — O que o poderoso CEO está fazendo em um bairro onde o asfalto ainda é precário?
— Às vezes, o mármore do escritório fica frio demais. Vim buscar algo.