Maria RitaDepois que a Helena foi pra escola, ajudei dona Joana com a limpeza da cozinha e, quando terminamos, fui lá pro jardim tomar um ar. O jardineiro, um senhorzinho já bem idoso, tava fazendo a arrumação das plantas, mas dava pra ver de longe que a coluna dele não tava das melhores.Ele se mexia devagar, com cuidado, como quem já sente o peso do tempo nos ossos. Aquilo me apertou o coração.Cheguei mais perto, já pegando o carrinho de mão.— Bom dia, moço! Deixa eu ajudar o senhor — falei, animada.Ele levantou o rosto, meio surpreso.— Não precisa, mocinha. Eu sou velho, mas ainda dou conta do serviço.Dei um sorrisinho e balancei a cabeça.— Eu sei. Mas a sua carcaça já é velha, e eu sou nova. Posso ajudar, fica tranquilo.Ele caiu na risada, daquelas gostosas, que vêm do fundo do peito.— Então tá bom — disse, ainda rindo. — Você é nova aqui, né?— Sou, sim — respondi. — Tô trabalhando aqui como babá da Helena.O sorriso dele mudou, ficou mais atento.— Então é você — coment
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