A manhã chegou sem pedir licença, como tudo o que realmente importa.Ágata despertou antes do despertador, o corpo cansado e a mente inquieta. Ficou alguns segundos deitada, olhando para o teto, sentindo o peso da noite mal dormida. Pensamentos em espiral, lembranças misturadas, promessas não feitas e decisões ainda suspensas no ar. Levantou-se devagar, como se cada movimento precisasse ser calculado para não desmontar o pouco de equilíbrio que ainda restava.Na cozinha, o cheiro de café tomou o ambiente. Um gesto automático, quase terapêutico. Filipe apareceu logo depois, ainda sonolento, arrastando os pés pelo chão frio. Sentou-se à mesa e começou a falar sobre a escola, sobre um trabalho em grupo, sobre um colega novo que gostava de futebol. Ágata o ouvia com atenção verdadeira, mas parte dela estava distante, tentando se ancorar naquele momento simples.Ela observava o filho e sentia um nó no peito. Ele era o centro de tudo. Sempre foi. Cada escolha que fez na vida passou por ele,
Ler mais