CAYOMano, duas semanas. Catorze dias nesse buraco imundo. O tempo aqui não passa, ele enferruja. Cada minuto é uma eternidade de cheiro de mijo, suor e desespero. A cela é pequena, gelada de noite, um forno de dia. Eu mal durmo. Quando fecho os olhos, só vejo ela. O rosto da Analu, o jeito que ela me olhava, como se eu fosse alguém. Agora, nessa escuridão, a imagem dela é a única coisa que me mantém são, e ao mesmo tempo, é o que mais me destrói.Hoje teve visita. A primeira. Quando me chamaram, meu coração deu um salto, um idiota esperançoso que ainda mora aqui dentro. Achei que fosse ela. Que ela tinha descoberto, que tinha vindo me tirar dessa merda.Mas era a Gabi.Ela tava lá, do outro lado das grades, com uma cara de cansada que até eu, que tô fodido, fiquei com pena. O carcereiro abriu a porta e ela me abraçou forte, o cheiro do perfume doce dela invadindo o meu ser. A voz dela veio baixa, rouca.— Cayo... — ela falou, e já deu pra ver que as notícias não eram boas.— E aí
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