Cayo
Cara, já tô até me acostumando com o cheiro de mijo e desespero, com o gosto de comida estragada, com o barulho dos portões rangendo.
Minha mente virou uma pedra.
Nem penso mais na Analu direito, é só uma dor surda aqui no peito, que eu ignoro. O meu futuro? É o Zyon.
Só o Zyon.
O resto eu quero que se foda.
Tô no pátio, tomando um sol que não aquece porra nenhuma, quando um dos guardas me chama.
— Cayo! Recepção!
Meu coração dá um pulo. Visita? Mas não é dia de visita. A Gabi veio ontem. Tava ainda mais fria que de costume. A gente mal trocou palavra, depois do que aconteceu naquela visita íntima fracassada.
Caminho até a recepção, a mente tentando adivinhar o que pode ser. Advogado? Más notícias da minha mãe?
O agente atrás do balcão me olha com uma expressão que eu nunca vi antes. Não é o desprezo de sempre.
É quase... surpresa.
— Aqui. Pegue suas coisas — ele fala, jogando um formulário na minha frente, junto com um saco transparente com a minha roupa que eu usava quando