CAYO
Mano, duas semanas. Catorze dias nesse buraco imundo. O tempo aqui não passa, ele enferruja. Cada minuto é uma eternidade de cheiro de mijo, suor e desespero. A cela é pequena, gelada de noite, um forno de dia.
Eu mal durmo.
Quando fecho os olhos, só vejo ela.
O rosto da Analu, o jeito que ela me olhava, como se eu fosse alguém. Agora, nessa escuridão, a imagem dela é a única coisa que me mantém são, e ao mesmo tempo, é o que mais me destrói.
Hoje teve visita. A primeira. Quando me cham