ANALU
Cada minuto nesse quarto branco é uma eternidade. Os comprimidos que eu finjo engolir – e às vezes realmente engulo sem querer – deixam minha mente num nevoeiro espesso. As palavras da Mari, da última ligação, são como faróis distantes nessa névoa: Cayo... preso... armação. Elas me mantêm ancorada à realidade, mesmo quando meu corpo só quer desmoronar.
Humberto veio de novo hoje. Com seu sorriso de plástico e seus olhos mortos. Trouxe revistas de casamento.
— Escolhe o bolo, amor.
Eu o