ANALU
Acordei com um gosto de metal e algodão na boca. A luz era branca. Branca demais. Não era a luz do sol entrando pela minha janela, nem a luz suave do abajur do meu quarto. Era uma luz fria, que vinha de um tubo no teto, e não deixava sombra em lugar nenhum. Pisquei algumas vezes, tentando me orientar. Onde eu estava?
Me sentei na cama, e um rangido baixo me fez estremecer. A cama era estreita, com lençóis ásperos. Olhei em volta. Quarto pequeno. Muito pequeno. As paredes eram brancas, lisas, sem um quadro, sem um pôster, sem vida. Não tinha janela. Nenhuma. Só uma porta pesada, com uma pequena abertura de vidro reforçado. Do lado de fora, um corredor, e o som distante de uma televisão passando um jornal matinal.
Meu coração começou a bater mais rápido. Só sentia um cheiro de desinfetante, um cheiro hospitalar, estéril.
Tentei me lembrar. A última coisa... a última coisa clara foi uma casinha. A porta azul. O cheiro masculino na minha pele. E depois... escuridão. Um vazio. Um pâ