Os corredores da Universidade de São Lourenço tinham um clima acolhedor e informal, diferente de tudo que Rafaella conhecia. Não havia luxo, não havia rigidez. Apenas vozes, mochilas jogadas nos bancos e o cheiro de café da cantina se misturando ao das folhas molhadas pela manhã chuvosa.Ela entrava todos os dias como uma sombra. Os cabelos bem penteados, a postura firme — não por vaidade, mas por defesa. Carregava o sobrenome Santos como se fosse um fardo. E era. O burburinho sempre a precedia.Naquela manhã, porém, algo diferente aconteceu.— Ei, você é nova, né? — disse uma garota de sorriso aberto e jeito espontâneo, aproximando-se no intervalo entre as aulas.— Sou, sim. — respondeu Rafaella, hesitante.— Maria Regina. Terceiro ano, penal e constitucional são minha paixão e minha dor de cabeça. — disse, estendendo a mão.Rafaella sorriu, pela primeira vez em dias.— Rafaella… Primeiro ano ainda, na verdade. Tive que transferir de última hora.— Ah, então você é a tal Rafaella San
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