O Homem Que Não Estava No Contrato
Clara Mendes chegou a Nova Iorque com uma mala, uma licenciatura e a teimosia de quem não volta atrás. Quando aceita o posto de professora particular da filha de Adrian Beckett— bilionário, viúvo, arrogante com classe e controlador por hábito — o combinado era simples: aulas às nove, resultados mensuráveis, distância profissional.
Ninguém combinou o resto.
Ninguém combinou a Lily, que tem sete anos, os olhos da mãe que não conheceu e uma capacidade assustadora de ver o que os adultos fingem não ver. Ninguém combinou os elevadores que ficam presos, as danças por acidente em festas de escola, os cafés que aparecem sem ser pedidos, os beijos em corredores com a luz baixa.
E ninguém, absolutamente ninguém, combinou que Adrian Beckett, que passou quatro anos a gerir a dor como se fosse uma empresa e a guardar tudo dentro de uma arquitectura hermética, ia encontrar na mulher mais desastrada de Nova Iorque a única pessoa capaz de o fazer parar de gerir e começar a sentir.
É complicado. É inconveniente. É exactamente o tipo de coisa que não estava no contrato.
Mas as melhores coisas nunca estão.