A Inocente
"Lentamente, sem pressa alguma, os olhos dele percorreram cada centímetro do meu corpo. Foi um olhar denso, profundo, quase palpável. Naquele segundo, sob a intensidade daquela avaliação, senti-me absolutamente desprotegida, como se estivesse desnudada no meio da rua por aquele olhar faminto e maduro. Meu coração martelava contra as minhas costelas, acelerado, descompassado. Ainda assim, por mais que meu pudor me mandasse desviar a atenção, meus olhos pareciam hipnotizados, incapazes de se soltar da sua face impecável e marcante. Ele claramente sabia o poder que exercia; tinha a plena consciência de que era deslumbrante. Ver uma jovem garota como eu paralisada por sua presença era apenas mais um detalhe cotidiano para o seu ego.
BIBI!
O som estridente de uma buzina cortou o ar como um chicote, quebrando o transe elétrico em que eu me encontrava. Um susto percorreu minha espinha e dei um pequeno pulo para trás, desviando o olhar bruscamente. "