Sangue e Circuito

Sangue e CircuitoPT

Marco Barbieri  Em andamento
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Resumo
Índice

Máquinas perfeitas, belos objetos sexuais ou armas mortíferas? Em 2093, o mundo já se acostumou com máquinas humanoides. Vince Lancchesi não está entre os poucos que ainda reconhecem alguma humanidade nelas, uma vez que mais se assemelham a marionetes sem cordões. Como estudante de engenharia robótica, ele sempre sonhou em fazer parte de um futuro em que o ciborguismo fosse realidade. Talvez, ajudar a criá-lo. A chance de manifestar seu talento aparece quando o jovem recebe convite para participar de um projeto sigiloso: a OneBionics, uma das maiores multinacionais do ramo, pretende revolucionar a maneira como se interage com humanos sintéticos, substituindo silicone e fibras de carbono por tecidos vivos e consciência. Essa parece ser a oportunidade da vida de Vince, até que, ao aceitá-la, ele se vê envolvido numa trama muito mais sinistra do que poderia ter previsto. Suas ambições o levam a cruzar caminho com Estefen, um escritor ardiloso que pretende pôr fim a todas as atividades que envolvam humanos sintéticos, mesmo que precise colocar vidas em risco. E quando Demitre — um jovem que se utiliza dessa nova tecnologia para satisfazer seus desejos mais ardentes e aplacar os tormentos do seu passado — é adicionado à equação, o futuro tão desejado por Vince começa a se provar muito mais perigoso do que sedutor. Lascivo, misterioso e impenitente, Sangue & Circuito combina ficção científica com uma dose envolvente de homoerotismo.

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Prólogo
Os detalhes eram o que mais o fascinava. Havia uma honestidade desleal neles, uma antecipação que formigava no peito. Ele não apressaria essa etapa — talvez as seguintes, mas não essa. O aroma de carne cozida prevalecia na sala de estar, trazido pelo vapor evanescente que escapava da cozinha. Assim que Demitre abriu a porta, lembrou-se de ter sentido esse mesmo cheiro da última vez; isso o impressionou. O que não lhe chamou atenção, no entanto, foi a decoração acolhedora da sala, justamente por se encontrar da maneira como ele bem havia registrado na memória. Ainda assim, quando seus coturnos negros pisaram na alfombra de entrada — na qual, caso olhasse para baixo, leria “Bem-vindo ao lar” —, inspecionou por um instante as paredes, cujo revestimento de madeira apresentava tom vagamente avermelhado. Sobre o rack, um modelo de televisão tão antigo que devia ter saído de produção antes mesmo de Demitre nascer, vinte e cinco anos atrás. Do cômodo adjacente, soava
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Primeira Parte: Um
— Como foi? — disparou Sirena, assim que viu Vince deixando o corredor. Ela aguardava na enorme rampa que circundava todo o prédio da universidade pelo lado de fora, em espiral, como uma serpente em torno de um galho de árvore. A moça vinha batucando na balaustrada de vidro temperado, mas quando Vince se aproximou finalmente, após quarenta e cinco minutos, ela se interrompeu; removeu o headphone da cabeça — que mais a fazia parecer um extraterrestre do que uma aficionada por música eletrônica — e o deixou descansar no pescoço, sob os cabelos castanhos muito encaracolados. — Foi bom — respondeu Vince, ajeitando sua mochila de ombro, que hoje estava cheia como se ele se preparasse para fugir do país. Sirena arregalou os olhos. — Foi bom? — Aquela era a primeira vez que o amigo dizia isso sobre um dos seminários obrigatórios na universidade. Discursar para a classe nunca foi seu forte. — Quem é você e o que fez com o Vince verdadeiro? El
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Primeira Parte: II
16 de julho, quinta-feira. Quando Fédra deu duas batidas na porta do chefe de gestão criativa, conseguia imaginá-lo soltando um murmúrio incomodado.O corredor era composto por fileiras longas de estandes, e dentro de cada um havia um escritório particular. Por determinação da empresa, eram blocos feitos de vidro transparente. “Transparência em primeiro lugar” poderia ser o lema da OneBionics. As passagens eram sempre largas, as esquinas eram esquadrinhadas por câmeras, os relatórios e e-mails eram publicamente acessíveis no ciberespaço. era difícil até mesmo usar o banheiro sem que alguém ficasse sabendo. Conversas particulares não demoravam a virar fofocas disseminadas, e o histórico registrado nas máquinas de lanche — ativadas por leitura biométrica — possibilitava que uns acompanhas
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Primeira Parte: 3
Havia um ponto de encontro na Zona Alta, um local entre os maiores prédios, num distrito formado basicamente por motéis e sex shops. Um dia tivera nome sério, do tipo que soava como um clube exclusivo para quem realmente tinha dinheiro para gastar com amenidades caras no dia a dia. Contudo, seu formato incomum fizera com que os frequentadores o chamassem de A Bolha. Construído inicialmente para ser um mirante, A Bolha tinha 170 metros de altura. Para chegar ao topo, onde as festas ferviam com ainda mais calor, era necessário subir cinquenta andares de elevador. O último andar formava um enorme domo de vidro, e, nos dias de final de semana, era possível ver de longe a maneira como a redoma brilhava, enquanto luzes coloridas eram lançadas em feixes no interior. Ninguém sabia se os donos do lugar gostavam que ele fosse chamado popularmente assim, mas esse acabara virando seu nome, e não havia nenhum outro clube tão conhecido em toda a cidade de Porto Áureo.Ler mais
Primeira Parte: Quatro
Encheu a vasilha de ração e fez um chiado com a boca, enquanto esfregava um dedo no outro, na tentativa de chamar o animal. A gata Bastet deixou sua caminha macia e se espreguiçou. Vince sorriu para ela. — Como é preguiçosa, essa senhorita! Quem visitava seu apartamento quase sempre perguntava por que ele dera um nome daqueles a uma gata. Gatas deveriam se chamar “Floquinho”, “Kitty”, “Lully”, dissera Sirena, até “Tapioca” soaria melhor que isso. Vince torcera o nariz para a amiga, não apenas por discordar, mas por ter dificuldade em conceber a ideia de que existiam nomes adequados para certos animais. Bastet era uma vira-latas preta e branca; havia sido adotada por Darles, mas Vince fora tão rápido em apelidá-la que o nome pegara. Despiu-se do casaco e o jogou no sofá. A sala estava arrumada hoje, mas não permaneceria assim por muito tempo; conhecia a si próprio o bastante para saber disso. As amplas e numerosas janelas lhe fornecia
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Primeira Parte: V
22 de julho, quarta-feira, Três semanas antes do lançamento do OneConnect.   Ele não costumava julgar pessoas pela aparência e não acreditava no poder de primeiras impressões, mas, ao cumprimentar Sr.ª Castello, pensou que jamais havia tocado mãos tão frias. Estefen pesquisara sobre a mulher antes de recebê-la em seu escritório. Era uma das principais responsáveis pela agência de publicidade mais respeitada do país. A dirigente da OneBionics já vinha investindo, há alguns meses, na elaboração do plano de divulgação do OneConnect para quando o serviço fosse finalmente lançado, e esse era o motivo por que Viveana Castello conduziria entrevistas em cada setor da empresa. Era uma mulher baixa, mas se equilibrava em saltos agulhas de dez centímetros. Costumava usar terno e saia social. Para quem já havia ultrapassado a marca dos cinquenta anos, poderia se passar por alguém de quarenta. Seus cabelos brancos e c
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Primeira Parte: 6
Quando o trem rumo ao centro da Zona Baixa deixou a estação e entrou no túnel subterrâneo, as luzes voltaram a se acender. Por sorte, Demitre havia conseguido um lugar para se sentar, perto da porta, o que geralmente não acontecia àquela hora da manhã, com o vagão apinhado. Estava atrasado para o trabalho e, mais do que isso, sentia-se exausto. Seu único consolo era o fato de que era sábado. Jota-jota estava de pé. Preparava-se para saltar na próxima estação. Trabalhava num salão de beleza perto do apartamento que dividia com Demitre. Forçava-se a permanecer dentro de um vestido decotado, com maquiagem nas bochechas para lhe dar um ar corado. — Trouxe seu almoço? — inquiriu ela, naquele seu tom que beirava o autoritário, mas também o maternal. Demitre fez uma careta. Não era a primeira vez que o esquecia. Mas não se importava; quase não sentia fome enquanto trabalhava. Jota-jota o censurou com os olhos, já vinha estando irritada por ele ter deixado a
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Primeira Parte: Sete
Seu novo apartamento era pequeno comparado ao anterior. Foi ficando cada vez menor à medida que Vince se instalava nele. Alugou-o mobiliado, não que precisasse de mais do que um sofá-cama. A geladeira servia de enfeite, uma vez que, já durante uma semana, Vince apenas encomendava composto alimentício, que lhe era entregue por drone na portaria. Ninguém precisava de comida para se manter alimentado, ao menos não desde a criação do composto — um pó incolor, sem gosto, que podia ser misturado na água e que continha todos os nutrientes necessários para um corpo humano comum. Na Zona Alta, muitos ainda optavam pela comida convencional, apesar de ser muito mais cara. Vince não se importava com isso agora. Não tinha apetite, de todo modo. Suas roupas começaram a se acumular num canto, e os sacos de lixo que ele nunca jogava pelo duto de sucção do prédio cobriam as suculentas de modo que elas desaparecessem. Não tinha vontade de sair para comprar cortinas, portanto colou cobertores
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Primeira Parte: VIII
23 de julho, quinta-feira, Três semanas antes do lançamento.   Não era seu costume caminhar por todas as áreas do edifício A. Geralmente entrava no elevador na recepção e desembarcava em seu setor. O fato de que o prédio principal da OneBionics continha numerosos quarenta andares era um dos motivos para isso. Nessa manhã, entretanto, Estefen se via obrigado a percorrer corredores onde nunca pisara mais do que uma vez. Octavia o havia incumbido de apresentar todos os setores da empresa à Viveana Castello, a nova conselheira administrativa — e a nova correia que sua dirigente cingia ao seu pescoço, ao que tudo indicava. De todos os funcionários da OneBionics, não o surpreendia que ele fosse aquele quem tivesse seu trabalho supervisionado de perto. Estefen conhecia um dos segredos mais delicados de Octavia, e, pensando bem, a dirigente havia demorado até demais para fechar o cerco ao redor dele. Desde o prim
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Primeira Parte: Nove
O complexo de prédios da OneBionics se situava numa alameda enorme. Vince saltou do trem uma estação antes e continuou o caminho a pé. A estrada principal na alameda era grande o bastante para permitir que caminhões industriais transitassem, embora não houvesse movimento algum de automóveis àquela hora da manhã. O concreto claro das calçadas em contraste com o piche tão escuro da estrada lhe dava a sensação de adentrar um set de filmagens recém-montado, como uma vez fizera com sua avó na infância, durante um passeio escolar.O trecho era arborizado e contava, inclusive, com uma augusta estátua diante da entrada do edifício B. A escultura em mármore parecia fazer referência à pintura A Criação de Adão, de Michelangelo. Em torno da obra, havia um pequeno lago artificial que servia de moradia para peixes. A
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