O silêncio voltou a se instalar depois que Sofia saiu.
Mas não era um silêncio comum.
Era o tipo de silêncio que dói nos ouvidos, que pesa no peito, que deixa o corpo em alerta mesmo quando tudo parece imóvel.
Eu permaneci sentada no colchão, abraçando meus próprios joelhos, sentindo o tremor leve que nunca mais me abandonava. Meu corpo ainda reagia à presença dela. À voz dela. Ao olhar que me atravessou como se eu fosse algo descartável.
Sofia Deluca nunca me odiou em silêncio.
Ela sempre deixou claro.
Mas vê-la ali… ordenar a minha morte com tanta frieza… foi diferente de tudo o que já senti.
Não foi medo imediato.
Foi uma espécie de lucidez cruel.
Ela realmente queria que eu morresse.
Não por ódio apenas. Mas por conveniência.
Fechei os olhos por um instante, respirando com dificuldade. Meu peito ardia. Cada inspiração parecia curta demais, como se o ar tivesse se tornado insuficiente para mim desde que meu corpo decidiu falhar.
— Você devia estar descansando.
A voz de Adriano soou