desgraçado

Alexia

Lanchonete do Bob

É, eu vou mesmo ficar grávida de um homem que nunca vi na vida. Ele pode ser um bandido. Será que ele é feio? Gordo? Careca? E se o bebê herdar a calvície dele?

— Para de pensar em besteira, Alexia.

O bebê nunca vai ser meu...

Odeio ser pobre!

Queria ter feito alguma faculdade. Talvez eu teria um bom emprego e não precisaria ser barriga de aluguel de um estranho.

Limpo a mesa suja de maionese que uma criança sujou.

— Tá tudo bem, colega?

Dolores diz, cutucando meu ombro.

Odeio essa mania irritante dela.

— Por favor, não faça mais isso. Sabe que detesto.

— Acordou amarga hoje. Olha, eu tô saindo com um riquinho que mora na ala dos bilionários. Se quiser, peço pra ele te apresentar um amigo.

— Não, obrigado.

Digo, indo para a área dos funcionários.

Ela vem bem atrás de mim.

— Deixa de ser burra. Só um homem rico vai tirar a gente dessa vida de miséria.

— E você acha que esses homens ricos vão querer assumir mulheres que não têm onde cair mortas? Acorda, Dolores. Eles só querem nos usar pra se divertir.

— E quem foi que falou em casamento? É só dar o bom e infalível golpe da barriga. E receber uma pensão bem gorda todo mês.

Reviro os olhos.

— Obrigada, Dolores, mas eu dispenso. Tudo que eu quero é trabalhar e ganhar o meu dinheiro.

— Aff, você é chata pra caramba. Nunca vai ser alguém na vida.

Meu celular vibra dentro do bolso do meu uniforme.

Atendo. É o canalha do Fernando.

— Cadê você, pirralha? Estou te esperando na clínica.

— Eu não sou pirralha. Tenho 24 anos. Se não falar direito comigo, eu desisto.

— Você não é louca. Assinou um contrato. O meu chefe não é um homem gentil com vadias.

Maldita hora que assinei a porra daquele contrato.

— Vou de táxi. Você vai pagar.

— Piranha abusada.

Diz, mas eu não me importo e encerro a ligação.

Falei pro Bob que tinha que resolver alguns problemas. Ele me deu dois dias de folga pra eu resolver tudo e ficar mais tranquila pra trabalhar.

Mal sabe ele que os meus problemas só estão começando...

Vou para a área dos funcionários e visto o meu vestido azul, que já está bem gasto. Azul é a cor que mais gosto!

Saio da lanchonete e chamo um táxi.

Ao chegar na clínica, o Fernando está na porta de entrada com uma cara muito feia.

Saio do veículo.

Meu tio se aproxima, pega cem dólares na carteira e j**a dentro do carro.

— Pode ficar, meu amigo. Eu vou ficar rico.

O motorista pega o dinheiro, não fala nada e dirige para longe da gente.

— Vamos, puta.

Fala, me puxando pelo braço.

Me liberto e dou um tapa mais que merecido no rosto dele.

— Me respeita.

Ele me olha com raiva e respira fundo.

— Me desculpe, sobrinha querida. Vamos entrar.

Reviro os olhos e entro na clínica.

Meu tio cumprimenta a médica ginecologista.

— Entra, garota.

Diz e me empurra para a sala de procedimentos.

Que mulher grossa!

Ela j**a um avental. Visto-o e me sinto nua. Ele não cobre meu corpo direito.

— Agora deita na maca. Vamos, menina, eu não tenho o dia todo.

— A senhora é muito mal-educada.

Digo e me deito na maca.

— Abre bem as pernas.

Faço o que ela pede.

Ela passa lubrificante em um instrumento de metal e desliza ele dentro da minha vagina.

— Ei, mulher, vai devagar.

Digo, sentindo um desconforto.

Felizmente, ela faz o que peço.

Após ela terminar, chegou a hora de colocar o sêmen de um bilionário desconhecido no meu útero.

Fecho os olhos e conto até cinquenta mentalmente.

Sinto uma dor semelhante à dor de cólica, porém não é muito forte.

Meu Deus do céu, por que a minha vida não poderia ser normal?

Meu próprio tio praticamente me obrigou a ser barriga de aluguel de um cara estranho.

Será que ele é bonito?

Mas que droga, Alexia. Não importa. Você nunca vai vê-lo.

— Pronto, acabei. Fique deitada por 15 minutos.

Obedeço e fico pensando: e se for gêmeos? Ou trigêmeos?

Logo o tempo passa. Eu enfim sou liberada, tomo água e a enfermeira me aconselha a ficar dois dias de repouso.

Visto meu vestido e saio da sala.

Um homem de cabelos brancos, vestindo um terno elegante, está com o meu tio.

— Você é muito bonita, mocinha. Meu neto vai ser lindo.

Não gosto do olhar dele.

— Fernando, diga as minhas exigências a ela. Tenho que ir.

— Pode deixar, chefe.

— Alexia, você não trabalha mais na lanchonete.

— É o quê? Eu vou viver de quê?

— Não seja burra. Meu chefe me deu dinheiro o suficiente pra você viver bem até essa criança nascer.

— E os dois milhões?

— Só vamos receber quando a criança nascer.

Ele diz que já pagou as contas do hospital e eu me sinto aliviada.

No entanto, recebo uma ligação do hospital.

— Sinto muito, Alexia. A sua tia faleceu.

— O quê? Isso é alguma piada?

— Infelizmente é verdade. Ela foi envenenada.

Deixo o celular escorregar das minhas mãos.

Avanço em Fernando.

— Foi você, não foi?

Ele ri e nega.

— Aquela mulher era uma inútil. Ela teve o que merece.

Um carro preto para perto da gente.

— Entra no carro, vadia, senão quiser morrer.

Isso não pode estar acontecendo...

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