Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlexia
Meses depois... Eu deveria ganhar o prêmio de mulher mais burra de Nova York. Mesmo sabendo que meu tio é um bandido, eu confiei nele e perdi a única família que eu tinha. E, para piorar, virei prisioneira dele. Toco em meu ventre. Infelizmente, a inseminação deu certo. Eu estou grávida! A cada chute que meu bebê dá, eu fico triste porque sei que, assim que ele nascer, aquele velho vai levar o bisneto para longe de mim. — Oi, neném. Como você está hoje? A mamãe tá em apuros! Não sei o que fazer. Vão tirar você de mim. Lágrimas ardem em meus olhos. A porta do porão se abre. Fernando entra e coloca uma bandeja repleta de comida em cima da mesa. — Tá falando com o bebê de novo, Alexia? Pare de ser idiota. Ele não vai te responder. — Fernando, por favor, me deixe ir. Eu preciso criar o meu filho. Ele ri. — Esse bebê não é seu! Você é apenas a barriga de aluguel. — Você é um monstro doente. Como pôde matar a sua própria irmã? Sua risada nojenta me faz sentir vontade de vomitar. — Eu te fiz um favor! Aquela velha doente só estava te dando despesas. — Seu canalha desgraçado. Quando eu sair daqui, vou te matar. Ele me empurra. — Só não te dou uma surra porque você carrega o fedelho que vale milhões. — Verme maldito... — Coma a comida. O meu chefe não vai querer um bebê fraco e doente. — Escute bem o que vou dizer, Fernando: você vai pagar pelos seus crimes e eu vou te visitar na prisão só pra cuspir na sua cara. Ele solta uma gargalhada alta e desagradável. — Você é uma coitada, Alexia. Vai morrer sendo garçonete e eu vou ser um milionário importante da alta sociedade. — Eu acredito na justiça de Deus. Eu vou dar a volta por cima e irei pisar em você sem piedade. — Cala a boca e come, vadia. Diz e se retira do porão, trancando a porta. O miserável nunca esquece a porta aberta. E mesmo se ele esquecer, tem dois brutamontes que ficam o tempo todo na casa. Como o arroz com purê de batata e frango. Não quero fazer o meu bebê passar fome. Penso na minha tia. Ela trabalhava em dois empregos para não deixar faltar nada pra mim. Quando Rochelle, minha genitora, foi presa após matar a esposa do amante, minha tia achou melhor a gente mudar o nosso sobrenome. Ela não queria que eu sofresse bullying na escola por ser filha de uma assassina. — Tia, será que você vai me perdoar? Digo e faço uma careta de dor. Meu bebê quer nascer! Me deito na cama. As contrações ficam cada vez mais fortes. É uma dor insuportável. Para a minha sorte, Fernando retorna para buscar o celular que esqueceu em cima da mesa. — Vai nascer! Vou ligar pro meu chefe agora mesmo. Diz e liga para o velho. — Boa notícia, chefe. Seu neto vai nascer! Vou levá-la agora mesmo pro hospital. Diz e encerra a ligação. — Tá doendo demais... Meu Deus, eu não vou conseguir. Eu não vou conseguir. Fernando me pega no colo. — Porra, Alexia, você tá gorda como uma vaca. — Cala a merda da boca, infeliz. Estamos em seu carro. Ele dirige em alta velocidade. Quando chegamos ao hospital, sou levada imediatamente para a sala de parto. — AI, É MUITA DOR! Digo, respirando fundo e tocando em meu ventre. — Sua filha tá louca pra te conhecer, Alexia. Você consegue... Vamos lá, força. Vai valer a pena. Grito e me esforço. O suor na minha testa me incomoda. — Tá quase lá, mamãe. Empurra com mais força. Reúno o resto das forças que sobraram e grito bem alto até a minha garganta doer. — Sua bebê está chegando, Alexia. Sorrio mesmo com dor e continuo empurrando. Um choro bem alto de bebê ecoa por toda a sala. — Minha filha! Eu quero ver ela, por favor. A médica a enrola em uma manta e a coloca em meus braços. — Você é tão bonita, meu amor. Te amo, minha linda princesinha. Seu nome vai ser Sofia. Digo e beijo a mãozinha delicada. Depois que minha neném é limpa, ela mama em meu seio. Adormeço com Sofia em meus braços. Ao acordar, ela não está mais comigo. Grito, chamando por ela. Meu tio imundo entra no quarto. — Sua filha morreu! — O quê? Não, você tá mentindo. Cadê ela? — Eu já disse que ela morreu. Agora pare de chorar. Depositei alguns trocados na sua conta. Vou sair de Nova York até nunca mais, querida sobrinha. Diz e sai. Choro sem parar. — SOFIA, MINHA BEBÊ... Alexia Seis anos depois... Jogo a rosa branca no túmulo da minha tia e derramo inúmeras lágrimas. — Tia, o desgraçado do Fernando disse que minha filha tá morta, mas eu sinto que ela tá viva! Não sei como vou fazer pra encontrá-la. Talvez minha neném esteja em outro país, mas isso não importa. Deus vai colocá-la no meu caminho. Fernando sumiu no mundo. Espero que esteja apodrecendo no inferno. Saio do cemitério e vou até a estação de metrô. Entro no metrô e, por sorte, consigo um assento vago. — Os homens são todos iguais: mentirosos e traidores. Fala a mulher ao meu lado, olhando o celular. — Tem namorado, fofinha? — Não. Eu trabalho muito. Ela sorri. — Você não tá perdendo nada. Eles só servem pra fazer a gente delirar de prazer na cama. Sinto as minhas bochechas ficarem vermelhas. Depois que perdi a virgindade com Tomás, nunca mais fiquei com homem nenhum. A primeira vez com ele foi horrível. O idiota foi bruto. Só ele sentiu prazer. Já de volta ao bar, vou para a área dos funcionários e visto o uniforme justo e decotado que sou obrigada a usar. A lanchonete do Bob foi fechada e eu tive que aceitar esse emprego nesse bar horroroso. O dono, um velho barrigudo que vive com um charuto na boca, sempre dá em cima de mim e me olha como se eu fosse um pedaço de carne. Falando no diabo, ele aparece quando estou arrumando o meu cabelo.






