Palermo, início de outono
O cheiro do mar em Palermo era diferente do de Siracusa. Mais salgado, mais áspero. Como se o vento soprasse com uma urgência que Serena não sabia nomear. Na calçada irregular diante da antiga estação de trem, ela respirou fundo e sentiu que não pertencia a lugar algum — ainda.
Atrás de si, uma mala pequena. Dentro dela, o que restou de uma vida que ela não teve coragem de continuar. Um luto que não era feito apenas de morte, mas de abandono, de decepção, de promessas