Mundo ficciónIniciar sesiónChloe
Eu estava fazendo a última prova do vestido, me olhando no reflexo do espelho enquanto minha mãe e minha irmã acompanhavam. — Está divina, Chloe Beringer. — Estou vivendo um sonho, mamãe. — Eu sei, nós também. Chloe, Emma e eu estávamos conversando de que você precisa de uma despedida de solteira. — Que ideia descabida, mamãe. Nem tenho amigas para isso. — Porque você sempre foi séria demais, Chloe. Nem sei como Brian se apaixonou por você. A costureira avisou que estava pronto e as duas foram tiradas da sala para eu me trocar. Tínhamos combinado de almoçarmos juntas depois da prova do vestido, e enquanto saía de dentro de todas aquelas camadas de tule branco, pensava o quanto minha mãe estava certa. Sim, eu fui uma jovem introvertida, não era de muitos amigos, nem de baladas. Meu único amigo na adolescência era Samuel, um jovem afeminado e cheio de espinhas, que tinha uma família muito amorosa. Mas eles eram religiosos devotos, e a orientação sexual do filho lhes trouxe bastante problemas. Porque Napa não estava preparada para que um de seus filhos se assumisse gay, mesmo que ele fosse um cavalheiro, gentil e amigo, um voluntário em diversas causas sociais com crianças e animais, e um pequeno cidadão do bem, ao qual a cidade deveria ter orgulho. Não os moradores de Napa, uma pequena cidade com 20 mil habitantes, que faz parte do complexo Napa Valley e tem um vasto turismo por causa de suas vinícolas. Samuel e eu fazíamos tudo juntos. Meus pais tinham uma das maiores vinícolas da cidade e ganhavam um bom dinheiro, Emma era dois anos mais nova do que eu, e passava todo seu tempo em shoppings e os finais de seman,a em baladas com as inúmeras amigas ricas e fúteis. Eu preferia ajudar Samuel, e passava meu tempo em missões de resgate de animais, visitando orfanatos, ajudando os pais dele em bazares beneficentes. Em uma visita aos vinhedos da região, conheci Brian Forman. Ele era o filho de um magnata da produção de vinhos, e estava sendo preparado para assumir os negócios do pai. Na época, eles estavam organizando uma espécie de cooperativa, onde vários produtores se associaram para aproveitar melhor o turismo na região. O senhor Forman era o idealizador, e John Beringer, meu pai, se recusava a participar. Brian, alheio a tudo isso, se apaixonou por mim e engatamos um namoro. Minha avó, Sophia, aprovava e então me entreguei totalmente a essa relação. Vovó Sophia era uma espécie de talismã para mim, meu contato com minha família anterior. Ela era a minha avó materna, tinha seu próprio sítio e vivia com humildade e tranquilidade em um dos bairros mais afastados do centro da cidade. Minha mãe, Maggie, era quem administrava desde a adolescência os negócios que o pai deixou. Quando se casou com meu pai, fazia questão de incluir a mãe em sua vida. Quando minha mãe morreu em meu parto, Sophia não quis assumir seus negócios e a única exigência que fez foi que meu pai não a separasse de mim. Ele manteve a promessa mesmo quando, menos de um ano depois, conheceu e casou com Jenny. Acho que a minha avó não gostava muito dela, então as visitas enquanto eu era criança, sempre ocorriam na casa dela. O motorista me deixava por lá e depois buscava. Como Jenny me tratava bem e nunca me maltratou, mesmo depois do nascimento da minha irmã, minha avó não se envolvia no casamento do meu pai. E assim eu cresci, me tornei uma adolescente voluntária em causas sociais e uma menina que não dava trabalho. E sempre visitava a vovó Sophia. Eu não conhecia outra mãe que não fosse Jenny, não podia dizer que era maltratada ou tinha menos do que minha irmã que era filha legítima dela. Claro que Emma gastava mais, tinha mais coisas e Jenny saia mais com ela. Mas isso não era diferenciação por parte de mãe, eu entendia que tinha a personalidade mais pacata e simples, como a minha avó, Sophia. Não tinha necessidade de tantas roupas, calçados, maquiagem e carro chique. Adorava andar descalça no sítio da minha avó, mexendo nas plantas que ela me ensinou a cuidar. Gostava de dirigir minha velha caminhonete. Emma caçoava de mim, andando pela cidade com aquela lata velha, mas eu entrava na brincadeira: — A caminhonete que foi de minha mãe, é o tipo de carro que não sai nem arranhado depois de atropelar seu Mustang em um acidente. E desse jeito, passei o fim da minha adolescência. Namorando com Brian, que me era sempre muito bom e entendia meu jeito mais simples, passando várias tardes no sítio com a minha avó, e sonhando com o dia que sairia da cidade para fazer faculdade de sommellerie. Eu queria ser uma enóloga sommelier, e apesar de ser uma cidade conhecida por seus vinhedos, ainda não tinha formação e capacitação. Eu teria que ir para fora para me capacitar, e estava preparada para isso. Minha avó tinha me dado de presente toda a minha formação. Eu só não sabia como faria para convencer Brian, meu namorado há três anos, a continuar um relacionamento à distância pelos próximos três anos, para eu me formar.






